CONFIRA

PREÇOS BAIXOS

domingo, 23 de agosto de 2009

Atendimento ao paciente

Materiais necessários

Para melhor atender ao paciente, tenha sempre à mão:

formulários de identificação para a enfermagem, do plano de assistência ao paciente pela enfermagem e relatório da enfermagem;
estetoscópio, esfignomanômetro e martelo de percussão, para examinar os sinais vitais do paciente.

Preparação

Para iniciar o atendimento, siga as instruções abaixo:

reúna os materiais;
vista o paciente com pijama ou camisola;
posicione o paciente confortavelmente;
cubra-o com um lençol ou colcha;
feche a porta e/ou as cortinas em volta da cama.

domingo, 16 de agosto de 2009

Enfermagem Obstétrica


Segundo ZIEGEL (1985), a prática da enfermagem obstétrica, da mesma maneira que qualquer outra profissão, é substancialmente influenciada por numerosos fatores dentro da própria profissão e na sociedade em geral, fato este evidenciado no decorrer da história da obstetrícia.

A obstetrícia, enquanto conjunto de práticas tocológicas, teve sua origem no conhecimento acumulado pelas parteiras, sendo a participação destas predominantemente feminina. Desconhece-se registros na literatura feitos pelas parteiras em relação aos primórdios da sua prática.

Um dos paradigmas que existiam na assistência ao parto era que a parturição se devia a um processo natural, fazendo com que, por muito tempo, a prática médico-cirúrgica permanecesse latente, bem como a participação masculina no parto (OSAVA & TANAKA, 1997).

O nascimento da obstetrícia sob tutela cirúrgica direcionou um saber mais voltado para a técnica, como a sutura e a drenagem, deixando de lado as particularidades da gestação e do parto. O fórcipe obstétrico foi o evento influenciador na aceitação da obstetrícia como uma área técnica e científica, onde foi incorporado o conceito de que o parto era perigoso e a presença de um médico era imprescindível, inaugurando o estopim da disputa profissional entre médicos e parteiras. No imaginário do homem comum, instalava-se a noção de que é possível "comandar o nascimento" (OSAVA &MAMEDE, 1995).

No Brasil, o declínio da prática da parteira no final do século XIX ocorreu quando se instalou o paradigma médico de que a atenção ao parto é estritamente intervencionista, cirúrgico. A partir daí, a profissional de enfermagem passou por várias designações – parteira, obstetriz, enfermeira obstetra – que reflete a inconstância que a profissão passou durante os últimos anos (OSAVA & TANAKA, 1997) .

Segundo ZIEGEL (1985), a Enfermagem Perinatal em substituição a Enfermagem Obstétrica representa o termo mais recente e é atualmente empregado pela American Nurse’s Association para designar uma área especializada de enfermagem materno-infantil. Esta área de enfermagem se concentra no diagnóstico e no tratamento das respostas, tanto fisiológicas como psicossociais, de todas as famílias à procriação: desde o planejamento da gravidez até os três primeiros meses após o nascimento da criança.

A clareza a respeito do que a Enfermagem Perinatal seleciona e que ela exclui, como valorizar mais o humano ou o tecnológico, o peso do intuitivo e do racional nas decisões, significa reconhecer os paradigmas que orientam a profissão, ajudando a compreender que tipo de desfecho a enfermagem obstétrica vem seguindo enquanto profissão.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

PL 30 HORAS CORRE PERIGO DE SER REJEITADO NA CFT

Preocupado com o despacho dado pela Mesa da Câmara Federal ao enviar o Projeto de Lei que trata da jornada de trabalho das 30 horas para um parecer técnico da Comissão de Fiscalização e Tributação (CFT), o presidente do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), Dr. Manoel Carlos Neri da Silva, em companhia dos presidentes do COREN-AC, Dr. Jebson Medeiros de Souza, e do COREN-SC, Drª. Denise Elvira Pires de Pires, se reuniu nesta quarta-feira com o deputado federal Iderlei Cordeiro (relator) e os técnicos da Comissão de Fiscalização e Tributação para cobrar celeridade na tramitação e parecer favorável ao projeto.

Da esquerda para direita. Deputado federal IDERLEI CORDEIRO, JEBSON MEDEIROS (COREN-AC), MANOEL CARLOS NERI (COFEN) E DENISE PIRES (COREN-SC)

Pela tramitação anterior, o PL deveria ter sido enviado diretamente a Comissão de Constituição e Justiça e, em seguida, para a votação no plenário, mas através de um requerimento do deputado federal Andre Zacharow (PMDB-PR) à Mesa Diretora, o PL foi despachado para receber um parecer da Comissão de Finanças e Tributação que analisa a adequação do projeto ao impacto eventualmente causado no orçamento da União.

A atitude do parlamentar paranaense pode significar um poderoso óbice para que o projeto das 30 horas não seja aprovado da forma original.

Durante a reunião os dirigentes do Sistema COFEN-CORENS, percebeu-se que a tendência dos técnicos que assessoram a CFT é desfavorável com a justificativa de que autor do projeto não teria indicado a compensação do impacto nas finanças do Governo Federal, além da falta de estimativa orçamentária.

Para tentar evitar que seja modificado ou rejeitado nesta comissão, o relator, deputado Iderlei Cordeiro (PPS-AC), propôs marcar uma reunião com o presidente da Câmara Federal, Michel Temer (PMDB-SP), para convencê-lo pedir de volta o projeto e remetê-lo diretamente ao Plenário da Câmara, destinando ao PL da enfermagem a mesma tramitação dada ao projeto que estabeleceu a jornada de trabalho dos Assistentes Sociais, que não passou pela CFT.

Manoel Carlos prometeu mobilizar os trabalhadores da enfermagem brasileira para que cobrem dos parlamentares federais de cada Estado o apoio ao PL das 30 horas e orienta que enviem emails aos membros da Comissão de Fiscalização e Tributação para que declarem apoio da forma que foi aprovado na Comissão de Seguridade.

Segue os emails dos parlamentares que compõem a CFT:

dep.micheltemer@camara.gov.br
dep.iderleicordeiro@camara.gov.br
dep.andrevargas@camara.gov.br
dep.aeltonfreitas@camara.gov.br
dep.armandomonteiro@camara.gov.br
dep.eduardoamorim@camara.gov.br
dep.gladsoncameli@camara.gov.br
dep.joaopizalatti@camara.gov.br
dep.marcelocastro@camara.gov.br
dep.pedroeugenio@camara.gov.br
dep.pedronovais@camara.gov.br
dep.pepevargas@camara.gov.br
dep.ricardoberzoini@camara.gov.br
dep.rodrigorochaloures@camara.gov.br
dep.vicentinhoalves@gov.br
dep.vignatti@camara.gov.br
dep.virginioguimaraes@camara.gov.br
dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
dep.alfredokaefer@camara.gov.br
dep.arnaldmadeira@camara.gov.br
dep.carlosmelles@camara.gov.br
dep.felixmendonça@camara.gov.br
dep.guilhermecampos@camara.gov.br
dep.juliocesar@camara.gov.br
dep.juliosemeghini@camara.gov.br
dep.luizcarloshauly@camara.gov.br
dep.luizcarreira@camara.gov.br
dep.joãodado@camara.gov.br
dep.manoeljunior@camara.gov.br
dep.silviocosta@camara.gov.br
dep.ciropedrosa@camara.gov.br
dep.lucianagenro@camara.gov.br

domingo, 2 de agosto de 2009

A Questão Familiar no Processo de Doação de Órgãos e Tecidos


As causas da não efetivação da doação estão relacionadas à instabilidade hemodinâmica e metabólica dos doadores, ao não reconhecimento ou atraso na determinação da morte encefálica e ao consentimento familiar. O “sim” dito pela família na doação de órgãos é uma questão extremamente delicada, e é o tema desta entrevista com o Prof. Edvaldo Leal de Moraes, enfermeiro e vice coordenador da Organização de Procura de Órgãos do HC – FMUSP.

Por Vanessa Navarro



Nursing - Como o profissional de enfermagem pode auxiliar os demais profissionais de saúde para definir o processo de doação de órgãos e tecidos?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - A solicitação da doação de órgãos e tecidos deverá ser realizada por um profissional de saúde habilitado. A pessoa mais adequada para essa função será aquela que passou por treinamento especializado referente ao processo de doação-transplante. O aspecto mais importante no momento da entrevista consiste em informar e esclarecer, os familiares do potencial doador sobre a possibilidade da doação dos órgãos e tecidos para transplante, nesse momento o profissional de enfermagem tem um papel importante. No Brasil, a Lei 10.211 de 2001 estabelece que a retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica, dependerá da autorização do cônjuge ou parente maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até o segundo grau, firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte.

Nursing - Existe um roteiro a ser traçado para que a entrevista tenha um resultado satisfatório?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - Sim. A entrevista é semiestrutura e direcionada para a possibilidade da doação dos órgãos e tecidos para transplante. O conteúdo da entrevista está centrado na morte encefálica. O profissional de saúde deve seguir um roteiro norteador no momento da entrevista. A Central de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo orienta que a entrevista siga o modelo apresentado no quadro 1.

Nursing - Quais são os pontos importantes dessa entrevista familiar?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - Em primeiro lugar é preciso que a família do potencial doador entenda que morte encefálica é morte. Em segundo, a capacitação do profissional que vai realizar a entrevista, a clareza da linguagem, a objetividade, a transparência e acima de tudo, o respeito aos princípios da ética e da legalidade.

Nursing - A família já sofre muito com a perda de um ente querido, e se depara com a decisão de doar ou não os órgãos e tecidos. Como o enfermeiro deve trabalhar com o lado emocional dessa família?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - A morte provoca na família do potencial doador diversos sentimentos e emoções, como tristeza, sofrimento, desespero, apatia, ansiedade, raiva, sensação de impotência, sentimento de culpa; sendo difícil admitir a irreversibilidade da morte encefálica, considerando-a como um fracasso da terapia e tornando mais difícil o ato de solidariedade através da doação de órgãos. Assim, o tempo dado para tomada de decisão e o apoio oferecido à família são de fundamental importância no processo de doação. O paciente que evolui para morte encefálica, na maioria das vezes, ocorre de forma muito rápida, não possibilitando tempo para o familiar assimilar a situa ção. No processo de doação e transplante, a família é o elemento principal, e a transparência desse processo só ocorre quando a família é devidamente informada e esclarecida. O enfermeiro deve oferecer apoio aos familiares, independente da manifestação a favor ou contrária à doação. A postura ética e o respeito diante do sofrimento da família é um dever do profissional.

Nursing - Quais são os fatores que influenciam favoravelmente à doação?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - Manter os familiares sempre informados e esclarecidos sobre a evolução do quadro do ente querido; o bom relacionamento entre a equipe multiprofissional e a família; a assistência médica oferecida ao paciente durante a internação e, principalmente, o conhecimento prévio da vontade do falecido. Os trabalhos mostram que as razões para doar ou não são complexas. O altruísmo, embora importante, não parece ser suficiente para motivar a doação de órgãos. O conhecimento das preferências do paciente - em vida - é importante no momento de decidir. Além disso, o suporte emocional, a assistência oferecida aos familiares e a informação sobre o processo de doação parecem ser essenciais para encorajar a atitude da doação.

Nursing - Como o profissional de saúde deve reagir diante do atraso na determinação do familiar?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - O nosso papel não é convencer a família a doar os órgãos e tecidos para transplante; mas sim informar e esclarecer sobre a possibilidade da doação, além de oferecer apoio e conforto diante da perda. A doação não deve adicionar mais sofrimento aos familiares que estão vivenciando a trágica situação de perder um ente querido. Cada família reage de forma diferente diante da perda, e solicita tempos diferentes para a tomada decisão sobre a doação dos órgãos e tecidos do familiar falecido. Respeitar o tempo da família também faz parte do nosso trabalho.

Nursing - Existem dados estatísticos referentes às doações de órgãos e tecidos autorizadas pelos familiares?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - No Brasil, no ano de 2008, foram identificados 5.992 potenciais doadores (32 por milhão de população por ano – pmp/ano); desse total, 1.317 foram doadores efetivos, ou seja, ocorreu a extração de órgãos vasculari- zados e o implante dos mesmos. As causas da não efetivação da doação estavam relacionadas à parada cardíaca com 23%, recusa familiar com 22% e contraindicação médica para a utilização dos órgãos para transplante em 14% dos casos. O número de doadores no Brasil (sete pmp/ano) é insuficiente para atender a demanda de receptores quando comparado ao de países mais avançados, como a Espanha e os Estados Unidos que atingem números superiores a 22 doadores efetivos pmp/ ano. O problema da captação, alocação e qualidade dos órgãos para transplante se deve em parte aos próprios profissionais de saúde que mantêm potenciais doadores de órgãos e tecidos sob tratamento, muitas vezes, inadequado e ineficaz para a situação do doador de órgãos. Muitos desses profissionais não notificam a ocorrência de morte encefálica às Organizações de Procura de Órgãos. Sendo assim, a educação permanente direcionada ao profissional da saúde pode representar uma alternativa para melhorar a qualidade e aumentar o número de órgãos ofertados.

Nursing – Qual a sua percepção quanto à atuação do enfermeiro na doação dos órgãos junto ao paciente terminal e familiares?

Prof. Edvaldo Leal de Moraes - O foco do processo de doação é o doador falecido (com diagnóstico de morte encefálica) ou com parada cardíaca. Nessa situação, a família tem que autorizar a retirada de órgãos e tecidos.